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Professor
Doutor
José Pinto Peixoto
Nasceu
em 9 de Novembro de 1922 na aldeia de Miuzela, concelho de Almeida,
distrito da Guarda. Filho de professores primários, realiza os
seus estudos secundários em Lisboa, no liceu Gil Vicente, com o
apoio do Instituto do Professorado Primário. Apesar da
separação resultante dessa vinda para Lisboa,
manterá sempre uma forte ligação à sua
terra de origem. No liceu Gil Vicente destaca-se com um excelente
desempenho escolar, interessando-se especialmente pela
matemática. Terminado o liceu, ingressa na Faculdade de
Ciências de Lisboa, onde termina a licenciatura em Ciências
Matemáticas em 1944.

Em 1945 surge-lhe uma
oportunidade de trabalho que o obriga a uma mudança da sua
área de interesse. A um estágio no Instituto
Geofísico Infante D. Luís, segue-se o ingresso no
Serviço Meteorológico Nacional (SMN), quando da sua
criação em 1946. A sede do SMN localizava-se então
em Lisboa, na freguesia de Sta. Isabel, a escassas centenas de metros
da Escola Politécnica, permitindo uma estreita
colaboração entre as duas instituições,
ambas então dirigidas por Herculano Amorim Ferreira,
Físico e Professor catedrático da FCUL.
Entre 1946 e 1952, Peixoto dedicou-se completamente ao estudo da
Física e da Meteorologia completando, nesse ano de 1952, a
licenciatura em Ciências Geofísicas, após o que
ingressará nos quadros da Faculdade de Ciências como
Assistente Extraordinário. Uma grande parte da sua actividade
continuará, no entanto, a realizar-se no SMN, onde assume um
papel fundamental na formação de quadros e dá
origem à Divisão de Estudos que dirigirá
até 1974.
Na Faculdade de Ciências, Peixoto assume rapidamente grandes
responsabilidades no ensino da Meteorologia. Amorim Ferreira, director
do SMN e do Instituto Geofísico, tem pouco tempo para se dedicar
ao ensino e transfere progressivamente a regência efectiva das
cadeiras para o seu assistente. Peixoto, dotado de uma excelente
preparação matemática, dedica-se a essa tarefa com
grande entusiasmo, renovando o estilo de ensino praticado.
Em 1954, uma bolsa da Academia das Ciências permite-lhe realizar
uma estadia de dois anos nos Estados Unidos da América, onde
fará a preparação dos trabalhos que vão
constituir a sua tese de doutoramento, a apresentar em 1959 na
Universidade de Lisboa, e que constituirá o ponto de partida
para uma colaboração com a ciência americana, que
será a chave fundamental do seu sucesso futuro.
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Ano Geofísico
Internacional de 1958
Entre 1954 e 1956, Peixoto estuda no Massachussets Institute of
Technology (MIT) onde se integra na equipa de Victor Starr,
então responsável pelos primeiros estudos
sistemáticos da circulação global da atmosfera.
Starr é um dos grandes nomes da Física da Atmosfera no
século XX. Nas décadas de 1950 e 1960 reuniu em torno de
si uma escola de cientistas, em que se incluíram Peixoto, Edward
Lorenz, Barry Saltzman e Abraham Oort, que viriam a ser
responsáveis por importantes contribuições para a
Teoria da Circulação Global da Atmosfera.
O MIT é então o centro de um conjunto de projectos de
investigação concebidos e dirigidos por Starr, cujo
objectivo é a compreensão das características
fundamentais da circulação global da atmosfera. A rede
global de observação meteorológica é ainda
incipiente. Em 1958 a comunidade internacional lança uma grande
campanha de observação e exploração do
nosso planeta, abrangendo todas as áreas da Geofísica,
que irá dar origem ao actual sistema de observação
contínua. O grupo do MIT toma em mãos a tarefa de
analisar o grande volume de dados que começa a ser
disponibilizado. Peixoto encarrega-se do estudo do ciclo da água
à escala global, desenvolvendo uma metodologia de análise
totalmente baseada em dados de sondagens atmosféricas . O
resultado desse estudo é a produção dos primeiros
mapas globais do transporte de água pela
circulação atmosférica, cuja importância
veio a ser reconhecida pelos artigos que foi convidado a publicar nas
revistas Scientific American e La Recherche.
Os
estudos da circulação global da atmosfera
Na sequência da investigação sobre o ciclo da
água, Peixoto vira-se para o estudo de outras variáveis
meteorológicas. Starr interessava-se muito pelo problema do
balanço do momento angular atmosférico, em especial pela
explicação dos mecanismos responsáveis pela
ocorrência e manutenção dos máximos da
velocidade do vento médio na alta troposfera das latitudes
médias - as corrente de jacto - descobertas na década de
40. Starr mostra a existência de mecanismos de
transferência de energia das pequenas para as grandes escalas, ao
contrário do que é observado em escoamentos turbulentos
laboratoriais. Em 1962, Starr e Peixoto sugerem que esses mecanismos
podem ser relevantes noutros sistemas físicos, em particular na
dinâmica de galáxias.
Nas décadas seguintes, Peixoto estabelece uma estreita
colaboração com Oort, no Geophysical Fluid Dynamics
Laboratory (GFDL), em Princeton, que dará origem a
publicação de diversos trabalhos de grande impacto, sobre
a circulação atmosférica. Nestes trabalhos faz-se
uma análise sistemática e muito cuidadosa dos ciclos
globais de momento angular , energia e entropia que se tornam obras de
referência desta Área. São também da sua
autoria alguns estudos sobre a variabilidade interanual do clima. A
frutuosa colaboração e amizade entre Peixoto e Oort
durará até a morte do primeiro.
Nas décadas de 60 e 70 são desenvolvidos os actuais
modelos de circulação global da atmosfera, que
virão transformar-se nas principais ferramentas de
previsão do tempo e de investigação da
dinâmica da atmosfera e do clima. O desenvolvimento desses
modelos exige dados precisos sobre a circulação
média observada e ideias claras sobre os mecanismos
físicos que devem ser incluídos e os balanços
globais que devem ser satisfeitos. O sucesso desses modelos vai
dever-se muito ao trabalho de diagnóstico da
circulação global iniciado por Starr na década de
50 e continuado por Peixoto, e colaboradores, nas décadas
seguintes.
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Ensino
e investigação
em Portugal
Desde a sua primeira estadia no MIT até à morte, Peixoto
mantém uma colaboração permanente com a
ciência americana, com visitas anuais prolongadas, primeiro ao
MIT, mais tarde a Atmospheric Environment Research (AER) e ao GFDL.
Nestas universidades, em paralelo com a actividade de
investigação, lecciona cursos de
pós-graduação em Meteorologia.
Em Lisboa, Peixoto toma conta do ensino da Meteorologia e mais tarde da
Termodinâmica. Nas suas aulas introduz muito do estilo e da
qualidade do ensino pós-graduado com que tinha contactado no
MIT. O curso de Meteorologia torna-se uma oportunidade para ensinar
muitos tópicos de Física e de Matemática que
sempre o interessaram e que não faziam parte dos cursos
então leccionados nos primeiros anos da licenciatura. Promove
igualmente o ensino da Hidrologia e da Oceanografia Física.
Devido ao seu estilo muito próprio, estabelece com a maioria dos
seus alunos uma relação próxima e estimula o
interesse pelo estudo da atmosfera e do clima.
Em 1969, Peixoto é empossado como vice-Reitor da Universidade de
Lisboa, cargo que ocupa até 1973. Os tempos, no entanto,
não são favoráveis para as mudanças que a
sua experiência como cientista parecia justificar. A partir de
1970, assume a direcção do Instituto Geofísico,
tentando renovar a influência desta instituição na
Geofísica portuguesa. Em 1975, lança, juntamente com
Luís Mendes Victor, o Centro de Geofísica, local onde se
irá integrar, nas duas décadas seguintes, uma
geração de novos geofísicos, cuja
formação será profundamente marcada pelo contacto
com Peixoto.
A partir de 1980, e até 1996, Peixoto assume a presidência
da Classe de Ciências da Academia das Ciências de Lisboa e,
em anos alternados, a presidência da Academia. Entretanto, vai
dividindo o seu tempo entre a Faculdade de Ciências, o Instituto
Geofísico, a Academia e colaborações com outras
universidades portuguesas - em especial a Universidade da Beira
Interior, que ajudou a criar, a Universidade Nova, de cuja
Comissão Instaladora fez parte, e a Universidade do Algarve.
Continua a passar nos Estados Unidos da América pelo menos dois
meses por ano, onde mantêm projectos de
investigação em colaboração com Oort. Esta
actividade intensa será mantida até às
vésperas da morte inesperada em 6 de Dezembro de 1996. Nesse
mesmo mês é publicado no Journal of Climate, o seu
último artigo em colaboração, sobre a Climatologia
da Humidade Relativa.
A Física do Clima
A partir do início da década de 1980 Peixoto dedicou
muito do seu tempo à preparação de uma
síntese do trabalho de investigação que realizou
ao longo de toda a sua vida. Nessa síntese, pretendia reunir uma
grande parte dos resultados obtidos na análise da
circulação global da atmosfera e também muitas das
notas que tinha vindo a acumular em inúmeros cursos de
pós-graduação leccionados nos Estados Unidos e em
Portugal. Em 1984 é convidado para publicar um longo artigo de
revisão na Reviews of Modern Physics intitulado "Physics of
Climate" cujo sucesso dará origem, em 1992 ao livro Physics of
Climate , publicado pelo American Institute of Physics. O livro
torna-se rapidamente numa obra de referência em Meteorologia e
Climatologia, mantendo-se ainda hoje como uma das sínteses mais
utilizadas no estudo da circulação atmosférica.
O trabalho de Pinto Peixoto foi por diversas vezes reconhecido. Em 1960
foi-lhe atribuído o Prémio Artur Malheiros (Academia das
Ciências); recebeu por duas vezes, em 1989 e 1993, o
Prémio Boa Esperança; em 1993 foi agraciado com a
Grã Cruz da Ordem de Santiago de Espada. Nesse mesmo ano foi
convidado para proferir a Lição em memória de
Starr no Massachussets Institute of Technology.
Nas palavras de dois amigos e colaboradores de longa
data, Oort (GFDL, Princeton) e Saltzman (Yale University):
Besides his legacy as a prolific and highly creative scientist, as well
as an inspiring teacher for many generations of students in Portugal
and the United States, José Peixoto will always be remembered by
his great qualities. His warmth, sense of humor, and unpretentiousness
endeared him to his many colleagues worldwide, particularly in
Portugal, and at MIT, AER, and GFDL, where he spent most of his time
abroad. As Edward Lorenz of MIT noted, whenever José entered a
room the entire atmosphere would immediately brighten. We will all miss
his phenomenal energy, enthusiasm, optimism, insight, and curiosity
about the world at large .
À
data da sua morte, em 6 de Dezembro de 1996, Peixoto deixa publicados
mais de 50 artigos em revistas internacionais referenciadas,
inúmeros textos e livros de divulgação em
português e um dos principais livros de referência sobre o
Clima. O seu trabalho na Faculdade de Ciências permitiu
desenvolver diversas áreas das Ciências Geofísicas,
contribuindo para fazer desta escola um dos locais por excelência
para o estudo da Terra.
Curriculum Vitae do Prof. Doutor José
Pinto Peixoto
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PRÉMIO NACIONAL PROFESSOR DOUTOR
JOSÉ PINTO PEIXOTO
Ensino
Secundário – 2008/2009
1. A
Associação Casa de Cultura Professor Doutor José
Pinto Peixoto voltou a instituir no corrente ano lectivo o
“Prémio Nacional Professor Doutor José Pinto
Peixoto – Ensino Secundário”
2. Podem concorrer
ao prémio, nos termos do respectivo Regulamento, divulgado nesta
página de internet da Associação, os alunos de
todas as Escolas Secundárias do continente que concluam o ensino
secundário no ano lectivo 2008/2009.
3. O Regulamento será igualmente divulgado pelas Escolas
Secundárias do Continente com a colaboração do
Ministério da Educação, através da
Direcção-Geral de Inovação e de
Desenvolvimento Curricular (DGIDC) e das Direcções
Regionais de Educação, podendo também ser
consultado pelos interessados em concorrer ao prémio na
página da internet da DGIDC (www.dgidc.min-edu.pt).
4. Honrando o Homem, o Professor e o Cientista, a
Associação pretende, através deste prémio,
divulgar a terra, a figura, a vida e a obra do seu patrono e, desta
forma, exercer uma acção pedagógica dirigida,
especialmente, às gerações jovens, apontando-lhes
o exemplo do Professor Doutor José Pinto Peixoto como
referência para a sua vida académica e perspectivas
profissionais.
5. Vencedores do prémio em anos anteriores:
2002: Joana Sofia Silva
Moura Ferreira, da Escola Secundária de Fiães, Feira.
2003: Catarina Alexandre
Prelhaz dos Santos, do Colégio Rainha Santa Isabel, Coimbra.
2004: Sofia Homem Melo
Marques, da Escola Secundária Aurélia de Sousa. Porto.
2005: Francisca da Rocha
Aguiar, da Escola Secundária de Águas Santas, Maia.
2006: Ana Catarina Pinho
Gomes, da Escola Secundária de Coelho e Castro, Fiães,
Feira.
2007: Ricardo Jorge
Pimentel Soares dos Reis, da Escola Secundária de Monserrate,
Viana do Castelo
2008: Susete Marli Fonseca da Cruz, do
Colégio de Lamego.
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Agradecimentos
Agradecemos a António Pedro Viterbo (European Centre for Medium
Ranmge Weather Forecasts, Reading, UK), António Tomé
(Universidade da Beira Interior) e Mário Almeida (Instituto de
Meteorologia).

Página Web da
responsabilidade de:
O Presidente da Comissão Instaladora
Augusto José Monteiro Valente
associacaojpintopeixoto@gmail.com
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